“Acorde, acorde Kyoto, não temos mais tempo...” - “A hora chegou Kyoto, é a sua vez...”.
— Aaahhhh! – gritei eu desesperadamente como se algo terrível estivesse acontecendo. Repentinamente levantei-me num pulo e vi minha mãe entrar em meu quarto correndo como uma louca.
—O que aconteceu Kyoto, você está bem? – perguntou minha mãe, pálida com o susto que tomara.
—Mamãe, eu não sei o que aconteceu. Eu estava sonhando com algo estranho,como vozes que me chamavam,dizendo que era chegada minha hora e de repente acordei com meu próprio grito. Por favor, mamãe fica comigo, tenho medo.
Minha mãe deitou-se do meu lado, permanecendo ali comigo até eu pegar no sono. Percebi que enquanto ela me aconchegava com seus braços, ela sussurrava repetidamente a um tom quase inaudível: “Não se preocupe querida, isto foi só um pesadelo, só um pesadelo”. Mas eu sabia que aquilo não era simplesmente um sonho comum, ou um simples pesadelo infantil, havia algo misterioso naquele sonho. “Por que aquela voz ainda parecia ecoar em minha cabeça? Será que isto era apenas um sonho, ou uma premonição?”. Na tentativa de buscar respostas dentro de minha mente acabei pegando no sono.
Acordei com o barulho do relógio que avisava que era hora de ir pra escola. Eu estudo no centro de educação Yoshioka, é uma escola muito boa considerada a melhor da minha cidade. Particularmente, não gosto muito de escola, a não ser as aulas de Educação Física e Música. Todas as vezes que tenho aula de educação física tenho que chegar mais cedo na escola, pra vestir meu uniforme de atletismo e ir treinar junto com a equipe da escola.
—Kyoto, desça rápido ou vai se atrasar. – gritou minha mãe.
—Já estou indo mamãe, já levantei.
Minha mãe é muito atenciosa e preocupada comigo, principalmente depois do acidente com meu pai, ele teve que sustentar a casa sozinha. Foi muito difícil pra ela aceitar a morte do meu pai. Eles eram casados à quase 15 anos e se amavam muito. Quando ele se foi pensei que não íamos suportar, pois era ele quem nos sustentava, nos dava amor e proteção, e agora estávamos sozinhas e teríamos que aprender a levar a vida sem ele.
Mas conseguimos e estamos aqui firmes, levando a vida.
—Kyoto, eu não vou chamar outra vez! – disse minha mãe.
—Já estou descendo - disse eu.
Quando cheguei à cozinha o café já estava preparado, como todos os dias. Sentei-me a mesa em silêncio, minha mãe permanecia parada olhando para o nada, como alguém que procurava algo ainda desconhecido. Durante todo o tempo do café ela permaneceu ali, imóvel, como petrificada, com um olhar de espanto que causava medo a quem estava ao seu redor. Tomei meu café, peguei minha mochila e como de costume, fui me dirigindo à porta e gritei:
— Estou indo mãe.
Um comentário:
Oi Calvin.Estava procurando uns blogs e acabei encontrando o seu ... Pelo que vi , você está fazendo um livro , é isso?Conhecidência , eu também estou . Pretendo estar com o meu pronto no começo das aulas de 2009.É legal saber que você se interessa com isso.Espero achar o seu blog de novo por ai para ler o seu livro.
beijos :*
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